quarta-feira, 20 de outubro de 2010

2007-1/02

Ao reler algumas de minhas primeiras postagens, noto um esforço de expressar o que eu sentia e pensava sobre a educação, o que de certa forma não está muito distante do que sinto e penso hoje.
Ao refletir sobre a criatividade, trouxe a idéia que não é apenas nas áreas artísticas que podemos oportunizar as crianças a exercitarem a criatividade, isto vem de encontro com minha prática atual, quando estimulo meus alunos a terem autonomia, e serem criativos nas questões de vida.
Em certa oportunidade reuni a turma em grupos e distribuí problemas do quotidiano que eles teriam que resolver, relatando aos outros grupos de que forma eles agiriam. Quero ressaltar que a maioria dos meus alunos possui entre 10 e 12 anos, então, muitas dessas situações podem acontecer, em seu dia-a-dia.
As situações seriam as seguintes:
“Estou cozinhando, sozinho em casa, adiantando o almoço para minha mãe, e acabou o gás, o que farei?”
“Fui ao mercado comprar leite, pão e arroz, na hora de pagar, faltou dinheiro, o que
farei?”
“Vim para a escola e esqueci a chave de casa, o que farei?”
“Saí com alguns colegas até o centro e me perdi deles, o que farei?”
“Estávamos brincando no campinho e meu amigo caiu e se machucou, parece grave, o que faremos?”
“Cheguei em casa morrendo de fome, fui até à cozinha e não havia nada do que eu goste para comer, o que farei?”
As respostas foram as mais inusitadas, e as discussões fervorosas, desde debates sobre quem ia ao mercado até sobre o que gostam ou não de comer, feminismo, meninos fazem tal coisa e meninas outras.
A aula foi divertida e produtiva, e refletimos sobre situações em que os alunos podem ser autônomos e aquelas em que eles necessitam de adultos para auxiliar, e até sobre como cada um pode auxiliar nas tarefas diárias.
Iniciei o curso com idéias que retomo e coloca em prática ao longo dos anos. Isto de certa forma e gratificante, pois comprovo que o curso auxiliou-me a pensar e afirmar minhas práticas.



http://magalicapeletti.blogspot.com/2007/08/criatividade_25.html

terça-feira, 19 de outubro de 2010

2007-1/01

Ingressar na UFRGS foi a realização de um sonho, veio suprir a necessidade que eu sentia de aperfeiçoar meus conhecimentos, de ter embasamento teórico para minhas crenças e também como realização pessoal, pois além de ser a UFRGS , era uma turma com uma proposta de formação acadêmica um tanto distinta, onde a ferramenta mais utilizada seria a informática.
Confesso que nas primeiras aulas fiquei com muito medo de não conseguir aprender tudo que precisava, e de não dar conta de tudo. Minhas expectativas eram muitas e minha disponibilidade para os novos aprendizados também.
Muitas de minhas dificuldades foram superadas com o auxílio do programa “Adote um Bixo”, onde fui adotada pela colega Grace Kunst, que me auxiliou incansavelmente. As tutoras tanto do Pólo quanto da UFRGS também foram muito prestativas e pacientes.
Nas primeiras postagens de meu blog, noto quantas superações obtive; as postagens eram superficiais, mas em algumas noto minha crença de que o sujeito deve ser valorizado em sua individualidade, que a paciência é uma das principais virtudes do professor e também que a beleza do mundo está em sua variedade.
O exercício que foi proposto à nós nas postagens iniciais de escolhermos temas e exercitar a escrita, foi produtivo, pois a partir delas que aprendemos os “caminhos” da produção escrita. Foi treinando essa dinâmica que aprendemos a utilizar o blog, inicialmente com produções simples, acredito que para facilitar a acessibilidade.
Noto também o blog colorido e dinâmico, neste primeiro semestre, e agora, minha escrita está mais profunda, embora tenha perdido parcialmente a espontaneidade.

http://magalicapeletti.blogspot.com/2007/04/depois-da-tempestade.html

terça-feira, 22 de junho de 2010

Aprendizagens

Quando falamos de trabalhar os interesses dos alunos, de trazer a realidade dos alunos para sala de aula, parece que estamos sempre nos repetindo e falando o que todos sabemos. Mas hoje, aconteceu um fato interessante na aula de informática: Possuo um aluno que gosta muito de futebol, ele não é o mais dedicado em sala de aula, e andei formando uma parceria com a professora de Educação Física a fim de colocar este aluno no compromisso dos aprendizados, para poder participar de times que representem a escola fora da mesma. Enfim uma prática de cobrança com mais olhos sobre o rendimento desse aluno. Notei uma certa melhora do aluno, mais interesse, e mais comprometimento da parte do mesmo, no geral. Mas hoje, quando fomos a aula de Informática, onde eu havia proposto uma pesquisa sobre a Copa do Mundo, quantas vezes ela aconteceu, quais países campeões, quantas vezes e em quais anos o Brasil foi campeão, entre outra, essa aluno sentou sozinho, (os alunos não podem trabalhar sozinhos pois há 13 máquinas e 24 alunos) mas enfim, esse aluno acabou sentando sozinho, e realizou toda a pesquisa, faltando apenas, a última pergunta que não realizou por falta de tempo. Quando saiu da sala me mostrou o caderno, e eu impressionada elogiei-o muito, e ele disse: "Trabalhei o tempo inteiro, não saí do meu lugar prá nada..." Fiquei muito orgulhosa dele e imediatamente relacionei com o fato de ser sobre futebol, um interesse paticular desse aluno. Claro é muito difícil atingir a todos os alunos de uma vez só, mas nada nos impede de ir variando os assuntos e as formas de abordagens dos mesmos, oportunizando assim aprendizados concretos.

grupos

Segundo Haetinger(2005): “Atualmente, uma discussão pertinente entre os educadores não questiona "o aluno aprende ou não aprende” ou “quanto aprende”, mas está voltada a questões mais amplas como: “de que modo podemos favorecer a aprendizagem?”, “que ações pedagógicas adotamos para facilitar a construção de conhecimentos?” Essa perspectiva qualitativa( e não quantitativa) do ato de aprender é de extrema relevância ao educador, porque ele tem um papel de destaque nas descobertas e na aprendizagem de seus educandos.” Nesse sentido quero relatar como está sendo a experiência de grupos que adotei com meus alunos, eles sentam em grupos e resolvem a maioria das atividades no grupo. Para verificar os resultados e o comprometimento dos grupos fiz reuniões individuais, e questionei-os quanto a funcionalidade dos grupos, quais os benefícios e contribuições. Os alunos afirmaram que estavam achando muito bom, porque dessa forma podem trocar, aprender e discutir sobre a melhor forma de fazer, com seus colegas.
Ainda existem alunos que se sentem injustiçados, pois alguns colegas querem apenas copiar, eu interferi dizendo que o quando o grupo se compromete e resolvem juntos não tem como alguém copiar, ou seja, os alunos que reclamaram saiam na frente dos outros realizando as tarefas, também quebrando um combinado. Acredito que com este método estou auxiliando meus alunos a aprenderem, a sentirem-se parte integrante do grupo, da sala de aula e da escola. Onde estão se desempenhando para contribuírem com a formação individual e dos colegas
HAETINGER, M.G.,O Universo Criativo da Criança,Coleção Criar Vol. 03, Instituto Criar, 2005

domingo, 20 de junho de 2010

O prazer de ler

Sempre gostei muito de ler. "Ler é ter o mundo em suas mãos" como já dizia o autor Roberto Guimarães, e este ano, ente outras realizações, venho fazendo algo que sempre quis fazer, estou lendo um, dois capítulos por dia de um livro para meus alunos. Iniciei com um livro que encontrei na Biblioteca Pública, chamado O Menino do Dedo Verde de Maurice Druon, inicialmente pedi autorização aos alunos para fazê-lo, e alguns me olharam assustados, e expliquei que é um livro antigo, mas pertinente aos nossos dias, o que mostra que as preocupações não evoluíram muito em meio século, já que o livro foi escrito em 1957. Estamos no capítulo 13, e os alunos estão cada vez mais entusiasmados com a história e o desenrolar dos fatos que se sucederão. O mais surpreendente é que alguns alunos agitados estão empolgados com o desfecho da história. Alguns estavam preocupados com a renovação do livro, pois mencionei a eles que havia retirado da Biblioteca Pública e que deveria renová-lo se não conseguisse lê-lo em tempo para eles, o que de fato aconteceu. Então, estamos divertindo-nos com as aventuras de Tistu e seu polegar verde, em Maripólvora e toda sua poesia.
Quando estou lendo passa-me pela cabeça o seguinte; ”será que estão me ouvindo?” Mas se paro a leitura e levanto os olhos do livro e vejo olhinhos inquisitores me olhando, nesse momento acredito que estou sendo ouvida e que estão gostando. Na crônica Aprendo Porque Amo, Rubem Alves dá-nos o sentido de que nos apaixonamos por coisas que as pessoas que gostamos gostam, um saborear para lembrar. Então estou apostando nessa idéia até para auxiliar na formação de futuros leitores. Também nesta leitura, estou lendo pelo prazer de ler, de conhecer a história e de nos sentirmos levados por elas. Quero contagiar meus alunos com a paixão da leitura, e acredito que demonstrando minha paixão possa contaminá-los.
ALVES, R. Educação dos Sentidos, Campinas, Verus Editora, 2005.

O que queremos?

Werneck (1987) afirma que: Um aluno rejeitado pela escola é a mesma coisa que um doente abandonado por um pronto-socorro. Lendo esta frase, deparei-me co um sentimento que venho cultivando ao longo deste ano letivo, e em outros, mas que tem se frutificado intensamente neste; da necessidade do aluno sentir-se querido e respeitado em sala de aula, e também de sentir-se como parte integrante da turma, do grupo em que se encontra sentir-se como aluno atuando em uma escola. Para exemplificar relatarei acontecimentos que tenho presenciado com meus alunos neste ano. Tenho alguns alunos difíceis, por se assim dizer, que possuíam rótulos de terríveis, entre outros, no ano passado não saiam da secretaria, os pais normalmente eram chamados, e eu assumi a turma com o intuito de modificar este estipe. Na sexta-feira estávamos executando tarefas em grupo, e num dos grupos tem um aluno que é muito inteligente, mas que quase não faz tarefa nenhuma em sala de aula. Tenho conversado com ele, diariamente, que é necessário realizar os registros, para que possa me mostrar o que sabe o que está aprendendo. Mas normalmente ele começa e não termina as atividades. As meninas do gruo estão me auxiliando a chamar a atenção dele, a cobrar que ele participe. Enfim, na sexta feira este aluno estava sem participar da resolução dos desafios matemáticos que eu havia proposto. Conversamos, eu e as meninas do grupo com ele, novamente, da importância dele no grupo e de como seria importante ele contribuir, pois ele tem um raciocínio lógico-matemático muito bem desenvolvido. Ele ficou contrariado, mas acabou auxiliando, não completamente, mas enfim, mudou sua forma de agir e passou a tentar resolver e contribuir com seu grupo. Vindo de encontro com a fala de Werneck, se eu simplesmente tomasse atitudes mais sérias como enviar um registro para casa do aluno, ou se mandasse ele para a secretaria, o que ele, como aluno teria melhorado, ou o que ele teria aproveitado da aula, ou aprendido com estes desafios ou de como ele é importante para seu grupo? Certo é de que colhemos aquilo que plantamos e não haverão alunos comprometidos e interessados se nós não nos comprometemos.

WERNECK,H. Ensinamos demais e aprendemos de menos, Petópolis, Editora VOzes, 1987

sábado, 12 de junho de 2010

Grupos

Passei a adotar o sistema de grupos, na sala de aula, onde, a partir de eleições, escolhemos líderes e combinamos atribuições para eles e para o grupo. O objetivo principal é a produção de conhecimentos, através de parcerias, trocas e discussões.
Segundo Madalena Freire (2005): “A identidade do sujeito é um produto das relações com os outros.” Baseada nesta afirmação, pretendo oportunizar essa formação, já que em grupos estarão em contato direto com os colegas e estarão contando com o apoio deles para sua formação.
Acredito estar oportunizando também o exercício da democracia e da cidadania, uma vez que os alunos deverão expor suas opiniões, e a partir delas formar conclusões do grupo. Notei um comprometimento dos alunos, um compromisso com suas atividades, e também uma alegria, que vem resultando dessa convivência, pelo fato de manifestarem suas idéias perante os temas trabalhados. Estamos dividindo conhecimento, para depois multiplicá-lo.

GEMPA, Grupos Áulicos A Interação Social na Sala de Aula, Editira Pallotti, Porto Alegre, 2005.