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terça-feira, 22 de junho de 2010

Aprendizagens

Quando falamos de trabalhar os interesses dos alunos, de trazer a realidade dos alunos para sala de aula, parece que estamos sempre nos repetindo e falando o que todos sabemos. Mas hoje, aconteceu um fato interessante na aula de informática: Possuo um aluno que gosta muito de futebol, ele não é o mais dedicado em sala de aula, e andei formando uma parceria com a professora de Educação Física a fim de colocar este aluno no compromisso dos aprendizados, para poder participar de times que representem a escola fora da mesma. Enfim uma prática de cobrança com mais olhos sobre o rendimento desse aluno. Notei uma certa melhora do aluno, mais interesse, e mais comprometimento da parte do mesmo, no geral. Mas hoje, quando fomos a aula de Informática, onde eu havia proposto uma pesquisa sobre a Copa do Mundo, quantas vezes ela aconteceu, quais países campeões, quantas vezes e em quais anos o Brasil foi campeão, entre outra, essa aluno sentou sozinho, (os alunos não podem trabalhar sozinhos pois há 13 máquinas e 24 alunos) mas enfim, esse aluno acabou sentando sozinho, e realizou toda a pesquisa, faltando apenas, a última pergunta que não realizou por falta de tempo. Quando saiu da sala me mostrou o caderno, e eu impressionada elogiei-o muito, e ele disse: "Trabalhei o tempo inteiro, não saí do meu lugar prá nada..." Fiquei muito orgulhosa dele e imediatamente relacionei com o fato de ser sobre futebol, um interesse paticular desse aluno. Claro é muito difícil atingir a todos os alunos de uma vez só, mas nada nos impede de ir variando os assuntos e as formas de abordagens dos mesmos, oportunizando assim aprendizados concretos.

domingo, 20 de junho de 2010

O prazer de ler

Sempre gostei muito de ler. "Ler é ter o mundo em suas mãos" como já dizia o autor Roberto Guimarães, e este ano, ente outras realizações, venho fazendo algo que sempre quis fazer, estou lendo um, dois capítulos por dia de um livro para meus alunos. Iniciei com um livro que encontrei na Biblioteca Pública, chamado O Menino do Dedo Verde de Maurice Druon, inicialmente pedi autorização aos alunos para fazê-lo, e alguns me olharam assustados, e expliquei que é um livro antigo, mas pertinente aos nossos dias, o que mostra que as preocupações não evoluíram muito em meio século, já que o livro foi escrito em 1957. Estamos no capítulo 13, e os alunos estão cada vez mais entusiasmados com a história e o desenrolar dos fatos que se sucederão. O mais surpreendente é que alguns alunos agitados estão empolgados com o desfecho da história. Alguns estavam preocupados com a renovação do livro, pois mencionei a eles que havia retirado da Biblioteca Pública e que deveria renová-lo se não conseguisse lê-lo em tempo para eles, o que de fato aconteceu. Então, estamos divertindo-nos com as aventuras de Tistu e seu polegar verde, em Maripólvora e toda sua poesia.
Quando estou lendo passa-me pela cabeça o seguinte; ”será que estão me ouvindo?” Mas se paro a leitura e levanto os olhos do livro e vejo olhinhos inquisitores me olhando, nesse momento acredito que estou sendo ouvida e que estão gostando. Na crônica Aprendo Porque Amo, Rubem Alves dá-nos o sentido de que nos apaixonamos por coisas que as pessoas que gostamos gostam, um saborear para lembrar. Então estou apostando nessa idéia até para auxiliar na formação de futuros leitores. Também nesta leitura, estou lendo pelo prazer de ler, de conhecer a história e de nos sentirmos levados por elas. Quero contagiar meus alunos com a paixão da leitura, e acredito que demonstrando minha paixão possa contaminá-los.
ALVES, R. Educação dos Sentidos, Campinas, Verus Editora, 2005.