segunda-feira, 29 de junho de 2009

Questões sobre o como auxiliar nossos alunos a serem indivíduos melhor estruturados e com conhecimento que os auxilie a desempenhar papéis que queiram assumir na sociedade, rondam o professor, seja nos momentos de planejamento, seja na prática ou na auto-avaliação de suas aulas; para que sejam eficientes nossos objetivos penso que:
Devemos procurar conhecer nossos alunos, sua realidade e o porquê deles ter certas atitudes, não que a condição social, ou a genética justifique algum ato, mas na maioria das vezes o indivíduo reflete o que vive, então acredito que conhecendo nosso aluno, e sendo sensível a sua existência, tratando-o como um indivíduo capaz, competente e necessário, que tenha importância na sala de aula, fazendo-o sentir-se amado, respeitado, em muitos casos funciona.
Ou seja, acredito que devemos humanizar a escola, já que esta assumiu papéis que não eram seus e estamos diante dessa dialética, onde uns assumem uma postura e outros outra, onde nem ao certo os dirigentes sabem o rumo que a escola irá tomar o que nos resta a fazer diante de nossos alunos e de nossa sala de aula, é acolher, é dar exemplo, é resgatar o valor do bem, do amor ao próximo, da verdade, da justiça, da honestidade, auxiliando a formar um homem mais humano.
Temos também que ajudar os alunos a aprender a se gostar e se amar, a respeitar suas limitações e suas capacidades e, sobretudo ser sensíveis a elas podendo evidenciá-las com nossos atos ou anulá-las.
Pensando em como o aluno aprende e como aproveitar o que ele aprende, o que ele sabe, recortei de um trabalho meu, a seguinte reflexão:
"Conforme Jaqueline Santos Picetti e Luciane Magalhães Corte Real no texto: A RELAÇÃO ENTRE OS SABERES COMUNITÁRIOS E OS CONTEÚDOS ESCOLARES NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO: “O trabalho com crianças de seis, sete, oito anos ou com adultos em processo de alfabetização deve ir além da decodificação de palavras: é necessário ler e escrever com sentido, o sentido na vida. O aluno deve articular essa aprendizagem em seu mundo, ou seja, o da comunidade em que vive. Utilizá-la como forma de comunicação e ampliação da leitura de mundo.”
Quando passamos a dar enfoque para o que o aluno sabe, este passa a ser um ser participante e ativo da sala de aula, pois ele adquire confiança em si e em seus saberes. Passa de aprendiz à praticante e de praticante a conhecedor, e a partir desses conhecimentos desenvolve outros e assim sucessivamente e infinitamente, segundo Fernando Becker: "Construtivismo significa isto: a idéia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento."
A partir do momento em que lidamos com o conhecimento dos nossos alunos, quando utilizamos seus saberes em sala de aula, estes passam a ter uma postura de seres atuantes que praticam para desenvolver seus conhecimentos, e isso oportuniza a todos os alunos desenvolverem-se, pois todos têm oportunidade de pensar, refletir, criar e opinar. "

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Refleti sobre algo: Muito do que li nesse semestre veio a afirmar conhecimentos que eu já possuía, talvez não embazados teoricamente, mas que eu já possuia; Mas acredito que essa é uma conclusão muito oportuna, pois vem a afirmar minhas metodologias, minhas crenças e minha forma de trabalho, ou seja, o que eu trabalho não está tão fora dos conceitos estudados em Pegadogia e as minhas crenças anteriores não eram tão fora dos conhecimentos chamados acadêmicos. Muito disso se deve à formação continuada que oportunizada pelo Município de Sapiranga e também ao fato de eu criticar meu trabalho e procurar aperfeiçoá-lo ao longo do tempo.
Kant afirma que, em Sobre a Pedagogia, ed. UNIMEP, 2002: "... A disciplina submete o homem às leis da humanidade e começa a fazê-lo sentir a força das próprias leis.(...) Assim, as crianças são mandadas cedo à escola, não para que aí aprendam alguma coisa, mas para que aí se acostumem a ficar sentadas tranquilamente e obedecer pontualmente àquilo que lhes é mandado, a fim de que no futuro elas são sigam de fato e imediatamente cada um de seus caprichos."
Transcrevi esta fala para ressaltar algo que venho pensando ao longo de meus anos de magistério: que mesmo que todos afirmem que não, ainda somos acomodadores de corpos na escola. Claro, nossa função modificou-se ao longo dos tempos, mas a primordial é essa: Disciplinar os corpos, humanizar o homem. Por mais que tentamos organizar as salas de aula, com extruturas diferentes( grupos, forma de u, de v), ainda temos classes e cadeiras, ainda precisamos esperar nossa vez de falar, ainda precisamos calar e ouvir, ainda temos cadernos com linhas para escrever, ainda copiamos do quadro, ainda temos intervalo( porque interver algo que é bom?), ainda brincamos de pega-pega (onde um espera a sua vez de ser pego para pegar, ou foge da vez de ser pegador...) o que está implíscito em nossos atos que nos torna acomodadores de corpos, são heranças ceculares onde, conforme o próprio autor o aprender não é prioridade...
Talvez esteja nessa herança o fato do ensino ser tão ineficiente?

terça-feira, 9 de junho de 2009

No texto:EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ, Reproduzido de ADORNO, T. W. Erziehung nach Auschwitz, o autor afirma que: "...é impossível pleitear amor
em situações profissionais, como a do professor com o aluno,
o médico com o paciente, o advogado com o cliente. O amor é
imediatista e se opõe decididamente a relacionamentos
arquitetados. "
Diferente do que o autor falou, acredito sim, no amor, acho que o amor ao próximo previne sim, muitos horrores, e que existe amor na relação professor/aluno, sem ele não seria possível educar nos dias de hoje. Podemos impor os limites através do exercício do amor, dessa forma os tornamos compreensíveis e aceitáveis. E o amor ajuda a dar autonomia ao indivíduo, uma vez que ele se aceita, se ama, pode ter mais autonomia porque confia em si mesmo. Já tive alunos que devido a relações de amor entre nós foi que consegui resultados positivos.
A realidade é severa e preocupante, e se deixarmos de lado o que acreditamos; no meu caso, que educo com amor, o que restará? O ceticismo é verdadeiro, mas cabe a quem o pratica, assim como o amor. Cabe a quem o pratica.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Estive refletindo sobre o fato de "ver um aluno", muitas vezes ouvimos essa afirmação, a forma como o professor vê o aluno é extremamente importante para o seu desenvolvimento ao longo das aulas, ao longo de um ano letivo. Refiro-me aos rótulos que os alunos carregam...
Num caso bem específico, comprovei esse fato; Em minha escola uma aluninha muito agitada e que "não parava nunca" segundo sua professora anterior, que "não tinha jeito", e que "também com a mãe dela, que a gente chama e não toma providência nenhuma, como vai mudar..."
Pois bem neste ano esta aluna está com outra pessoa, minha colega também, que não rotulou, recebeu-a igualmente como os outros, que teve dificuldades de adaptação no início com a aluna, mas que me disse o seguinte: "Sabe, ela põe um monte dos meus alunos no bolso... É agitadinha, mas está ligada, tem coisas que tem dificuldade, mas acredito nela... Falei com a mãe e ela vai procurar um médico para fazer exames..." E, vejo a mãe vindo buscar a aluna para irem ao médico, justificando faltas da aluna por consequência das consultas...
Pois, afirmo que a forma com que o professor atua, aborda, encara seus alunos, quando ele valoriza seus alunos como seres humanos, dessa forma certamente seu trabalho tem maiores resultados.
Pergunto: A aluna mudou? Não, a forma com que ela foi vista é que foi modificada.
Isso é algo que devemos nos dar conta enquanto professores.
Tentarei responder ao questionamento : "Quando colocas que "respondemos a ética e a moral, representamos-nas na escola, mas somos antes de mais nada humanos, e agimos com sentimentos." Quando? Em que caso esta pensando ao fazer esta afirmação?"
Pensei dessa forma, não em um caso específico, mas no geral, em quantas vezes temos vontade de dar a resposta para o aluno, quando vemos o comflito nos seus olhos, mas sabemos que se dermos a resposta, estaremos desperdiçando uma oportunidade de aprendizagem do aluno;
Ou então quando estamos muito cansados, sem paciência e aquele aluno que exige muito a nossa atenção torna a nos questionar pela décima vez a mesma coisa; respiramos fundo para sermos éticos, e respondemos ao questionamento;
Ou quando ouço um colega comentar: "Tive que sair, para dar uma respirada, contar até dez..."
Ou então quando nós mesmos saímos para dar esta respirada...
Deixamos nossa humanidade de lado em muitos casos, nossas reações humanas, sentimentais, para sermos éticos e agirmos dentro da moralidade.