Werneck (1987) afirma que: Um aluno rejeitado pela escola é a mesma coisa que um doente abandonado por um pronto-socorro. Lendo esta frase, deparei-me co um sentimento que venho cultivando ao longo deste ano letivo, e em outros, mas que tem se frutificado intensamente neste; da necessidade do aluno sentir-se querido e respeitado em sala de aula, e também de sentir-se como parte integrante da turma, do grupo em que se encontra sentir-se como aluno atuando em uma escola. Para exemplificar relatarei acontecimentos que tenho presenciado com meus alunos neste ano. Tenho alguns alunos difíceis, por se assim dizer, que possuíam rótulos de terríveis, entre outros, no ano passado não saiam da secretaria, os pais normalmente eram chamados, e eu assumi a turma com o intuito de modificar este estipe. Na sexta-feira estávamos executando tarefas em grupo, e num dos grupos tem um aluno que é muito inteligente, mas que quase não faz tarefa nenhuma em sala de aula. Tenho conversado com ele, diariamente, que é necessário realizar os registros, para que possa me mostrar o que sabe o que está aprendendo. Mas normalmente ele começa e não termina as atividades. As meninas do gruo estão me auxiliando a chamar a atenção dele, a cobrar que ele participe. Enfim, na sexta feira este aluno estava sem participar da resolução dos desafios matemáticos que eu havia proposto. Conversamos, eu e as meninas do grupo com ele, novamente, da importância dele no grupo e de como seria importante ele contribuir, pois ele tem um raciocínio lógico-matemático muito bem desenvolvido. Ele ficou contrariado, mas acabou auxiliando, não completamente, mas enfim, mudou sua forma de agir e passou a tentar resolver e contribuir com seu grupo. Vindo de encontro com a fala de Werneck, se eu simplesmente tomasse atitudes mais sérias como enviar um registro para casa do aluno, ou se mandasse ele para a secretaria, o que ele, como aluno teria melhorado, ou o que ele teria aproveitado da aula, ou aprendido com estes desafios ou de como ele é importante para seu grupo? Certo é de que colhemos aquilo que plantamos e não haverão alunos comprometidos e interessados se nós não nos comprometemos.
WERNECK,H. Ensinamos demais e aprendemos de menos, Petópolis, Editora VOzes, 1987
domingo, 20 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
Grupos
Passei a adotar o sistema de grupos, na sala de aula, onde, a partir de eleições, escolhemos líderes e combinamos atribuições para eles e para o grupo. O objetivo principal é a produção de conhecimentos, através de parcerias, trocas e discussões.
Segundo Madalena Freire (2005): “A identidade do sujeito é um produto das relações com os outros.” Baseada nesta afirmação, pretendo oportunizar essa formação, já que em grupos estarão em contato direto com os colegas e estarão contando com o apoio deles para sua formação.
Acredito estar oportunizando também o exercício da democracia e da cidadania, uma vez que os alunos deverão expor suas opiniões, e a partir delas formar conclusões do grupo. Notei um comprometimento dos alunos, um compromisso com suas atividades, e também uma alegria, que vem resultando dessa convivência, pelo fato de manifestarem suas idéias perante os temas trabalhados. Estamos dividindo conhecimento, para depois multiplicá-lo.
GEMPA, Grupos Áulicos A Interação Social na Sala de Aula, Editira Pallotti, Porto Alegre, 2005.
Segundo Madalena Freire (2005): “A identidade do sujeito é um produto das relações com os outros.” Baseada nesta afirmação, pretendo oportunizar essa formação, já que em grupos estarão em contato direto com os colegas e estarão contando com o apoio deles para sua formação.
Acredito estar oportunizando também o exercício da democracia e da cidadania, uma vez que os alunos deverão expor suas opiniões, e a partir delas formar conclusões do grupo. Notei um comprometimento dos alunos, um compromisso com suas atividades, e também uma alegria, que vem resultando dessa convivência, pelo fato de manifestarem suas idéias perante os temas trabalhados. Estamos dividindo conhecimento, para depois multiplicá-lo.
GEMPA, Grupos Áulicos A Interação Social na Sala de Aula, Editira Pallotti, Porto Alegre, 2005.
Nos dias de hoje não basta ter conhecimento, é necessário também saber fazer uso deste quando necessário. Refiro-me a uma questão que nos deparamos diversas vezes em sala de aula, quando trabalhamos alguns conteúdos que perguntamos, onde o aluno vai utilizar isto em sua vida? Sabemos que quanto maiores as informações que temos acumuladas, mas links podemos fazer em relação a elas. E desta forma maior número de conhecimentos podem ser agregados. Mas então, ensinar apenas para guardar? Não, e trago a vocês uma amostra do que meus alunos estão fazendo em relação à utilização de seus conhecimentos:
Os alunos elaboraram o texto, ensaiaram, representaram sozinhos, utilizando conhecimentos que possuiam, e a partir desses formularam sua compreensão do que pode acontecer, a partir dos seus saberes. Esta é uma demostração de por em prática os conhecimentos.
Os alunos elaboraram o texto, ensaiaram, representaram sozinhos, utilizando conhecimentos que possuiam, e a partir desses formularam sua compreensão do que pode acontecer, a partir dos seus saberes. Esta é uma demostração de por em prática os conhecimentos.
cópias
Deparei-me, na sétima semana do meu estágio, com um conflito a que venho tendo ao longo dos anos em que trabalho: Sobre o significado de copiar textos extensos do quadro.
Mas quando trabalhamos com alunos em sala de aula, quando estamos numa escola, somos absorvidos por ela, no melhor sentido da palavra. Muitas vezes somos atropelados pelo sistema, o que está além de nós. E nesses casos acabamos repetindo situações que criticamos quando estamos de fora do processo.
Eu me questiono sobre a cópia de textos extensos, pois este é um sistema que vejo como cansativo e de pouco retorno no sentido de aprendizagem. Quando os alunos copiam, muitos deles demoram em fazê-lo, o que dispersa os mais rápidos, gerando conflitos e distrações inclusive daqueles que ainda não acabaram. Se o texto é muito longo, não se consegue lê-lo ou explicá-lo em sala de aula, que fica muitas vezes para a aula do outro dia, o que atrapalha o rendimento do planejamento, bem como a compreensão do texto e o sentido de utilizá-lo.
Concluí que os textos muito longos devem ser xerocados e passados aos alunos, que em vez de perderem tempo copiando-o, terão este tempo para ler, refletir e debater sobre o conteúdo em questão.
Copiar do quadro era algo necessário, na medida em que se tinha a intenção de conter os corpos, de tornar os indivíduos meros copiadores. O que certamente não é a minha intenção em sala de aula. Quero formar pensadores comunicativos e não copiadores passivos.
Mas quando trabalhamos com alunos em sala de aula, quando estamos numa escola, somos absorvidos por ela, no melhor sentido da palavra. Muitas vezes somos atropelados pelo sistema, o que está além de nós. E nesses casos acabamos repetindo situações que criticamos quando estamos de fora do processo.
Eu me questiono sobre a cópia de textos extensos, pois este é um sistema que vejo como cansativo e de pouco retorno no sentido de aprendizagem. Quando os alunos copiam, muitos deles demoram em fazê-lo, o que dispersa os mais rápidos, gerando conflitos e distrações inclusive daqueles que ainda não acabaram. Se o texto é muito longo, não se consegue lê-lo ou explicá-lo em sala de aula, que fica muitas vezes para a aula do outro dia, o que atrapalha o rendimento do planejamento, bem como a compreensão do texto e o sentido de utilizá-lo.
Concluí que os textos muito longos devem ser xerocados e passados aos alunos, que em vez de perderem tempo copiando-o, terão este tempo para ler, refletir e debater sobre o conteúdo em questão.
Copiar do quadro era algo necessário, na medida em que se tinha a intenção de conter os corpos, de tornar os indivíduos meros copiadores. O que certamente não é a minha intenção em sala de aula. Quero formar pensadores comunicativos e não copiadores passivos.
Reflexões
Na avaliação da sexta semana, refleti sobre a importância de pararmos e repensarmos e, no caso, escrever o que acontece em nossas salas de aula, e durante esta escrita, especificamente, deparei-me com atitudes que, como professor, tomamos, em represália a atitudes dos alunos quando estes não colaboram, não demonstram interesse , são agressivos uns com os outros ou conosco. Nesse caso os punimos com aulas maçantes, chatas e cheias de exercícios repetitivos. Usamos aulas como punições, então que qualidade existe? Podem existir aprendizados, mas quão significativos estes serão para nosso aluno e até para nós mesmos. Somente me dei conta disso quando parei, refleti, e escrevi sobre isso, mas quantas vezes essas nossas vinganças passam despercebidas?
Eis a importância do professor poder parar e refletir sobre suas atitudes, anseios, insatisfações de sala de aula.
Eis a importância do professor poder parar e refletir sobre suas atitudes, anseios, insatisfações de sala de aula.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
homenagem
Na sexta-feira recebi uma homenagem lindíssima dos meus alunos, que me receberam com uma festa surpresa para o dia das mães. Neste momento fiquei sem palavras de tanta surpresa e alegria, pelo fato de ser lembrada como mãe pelos alunos e também pelo que está implícito nesta homenagem. Todas minhas expectativas em relação à convivência, ao respeito ao próximo, à aprendizagem coletiva, ao respeito às diferenças, todas elas foram privilegiadas no momento em que os alunos tiveram que se organizar para fazerem a festinha, quando realizaram as combinações de que quem traria o que, e tudo sem eu ficar sabendo.
É muito gratificante reconhecer o resultado de nosso trabalho de uma forma tão prazerosa.
Senti a alegria de um agricultor que realiza a colheita de seus frutos. O professor planta na alma, e seus frutos, por vezes são colhidos ao longo da vida, quando seus alunos relembram seus ensinamentos. Poucas vezes recebi e percebi tão rapidamente o resultado de meu trabalho. E só tenho a agradecer a essas queridas criaturas que permitiram que eu as sementes que eu depositei frutificassem tão rapidamente.
É muito gratificante reconhecer o resultado de nosso trabalho de uma forma tão prazerosa.
Senti a alegria de um agricultor que realiza a colheita de seus frutos. O professor planta na alma, e seus frutos, por vezes são colhidos ao longo da vida, quando seus alunos relembram seus ensinamentos. Poucas vezes recebi e percebi tão rapidamente o resultado de meu trabalho. E só tenho a agradecer a essas queridas criaturas que permitiram que eu as sementes que eu depositei frutificassem tão rapidamente.
Desafios
Afirmei em algumas ocasiões, tentando justificar a falta de atenção dos alunos, que eles prestam atenção, mas a atenção deles é em situações dinâmicas e desafiadoras.
Movimento, acredito eu, ser a característica para esta geração; não o movimento físico, atlético, embora este agrade também a maioria, mas o movimento mental, que ocupa a mente, desafia-a a mudar de fase, a progredir etapas e vencer desafios, transpondo montanhas, aniquilando monstros alienígenas ou terráqueos, enfim, estes inúmeros desafios que estão contidos nos jogos de computador e vídeo-games. Não quero criticar, mas sim, fazer jus a nossa lenta, longa e cansativa lista de conteúdos mínimos, que exploramos ao longo dos dias letivos sem muitas vezes atingir nossas alunos. Que nossas aulas sejam ágeis, práticas, desafiadoras e dinâmicas para podermos assim, tentar competir com esse mundo de saltos piruetas e conquistas que nossos alunos vivenciam fora das escolas.
Movimento, acredito eu, ser a característica para esta geração; não o movimento físico, atlético, embora este agrade também a maioria, mas o movimento mental, que ocupa a mente, desafia-a a mudar de fase, a progredir etapas e vencer desafios, transpondo montanhas, aniquilando monstros alienígenas ou terráqueos, enfim, estes inúmeros desafios que estão contidos nos jogos de computador e vídeo-games. Não quero criticar, mas sim, fazer jus a nossa lenta, longa e cansativa lista de conteúdos mínimos, que exploramos ao longo dos dias letivos sem muitas vezes atingir nossas alunos. Que nossas aulas sejam ágeis, práticas, desafiadoras e dinâmicas para podermos assim, tentar competir com esse mundo de saltos piruetas e conquistas que nossos alunos vivenciam fora das escolas.
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