segunda-feira, 29 de junho de 2009

Montamos este mosaico em aula para uma atividade da interdisciplina de QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO: SOCIOLOGIA E HISTÓRIA
Conversei com eles se precisávamos escrever um título para nosso trabalho, houve sugestões:
“ Gentes de todos os jeitos...”
“ Cada um é diferente e é importante...”
“ Somos uma mistura de gentes...” (Adorei essa!)
Certamente é no exercício de nossas expressões e no repensar atitudes que acabamos com preconceitos; e eles estão muito mais camuflados do que podemos perceber, muitas vezes não somos sensíveis o suficiente, para nos darmos conta deles, mas observando meus alunos, trabalhando e interagindo pude renovar as esperanças em um mundo melhor, sem tantos preconceitos, mais humano.
A reafirmação da identidade indígena foi de suma importância para todos os povos indígenas que vivem no Brasil, pois passou a valorizar o índio como pessoa, como ser humano, que provém de uma cultura distinta da dos europeus, africanos e asiáticos, mas que da mesma forma é um povo. Diversos indígenas que durante os séculos de colonização negavam sua identidade étnica, agora passaram a reivindicá-la, bem como o reconhecimento da suas etnias e seus territórios ancestrais dentro do Brasil. Como afirma o texto “Os Indios no Brasil: quem são e quantos são”, escrito pelo representante do povo Baniwa, Gersen : “Ser índio passou de uma generalidade social para uma expressão sociocultural importante do país. Ser índio não está mais associado a um estágio de vida, mas à qualidade, à riqueza e à espiritualidade de vida. Ser tratado como sujeito de direito na sociedade é um marco na história indígena brasileira, propulsor de muitas conquistas políticas, culturais, econômicas e sociais.”
As novas gerações indígenas demonstram muito interesse pela sua cultura, e para recuperar o valor da identidade indígena. Que afirmam que sua história dá sentido às suas vidas; uma vez que ser índio é aceitar um passado histórico marcado por violência e desvalorização, mas ao mesmo tempo é motivo de orgulho, uma vez são descendentes de povos que habitavam o Brasil antes de sua colonização. Conforme afirma o autor: “A reafirmação da identidade não é apenas um detalhe na vida dos povos indígenas, mas sim um momento profundo em suas histórias milenares e um monumento de conquista e vitória que se introduz e marca a reviravolta na história traçada pelos colonizadores europeus, isto é, uma revolução de fato na própria história do Brasil.”
Acredito que assim como para com o povo afro descendente, o Brasil como Estado e seu povo, tem uma dívida muito grande para com os povos indígenas, que acredito está iniciando a ser saudada, com o reconhecimento da importância desses povos para o desenvolvimento brasileiro e para nossa cultura.
Devemos além de reconhecer sua importância aprender com eles a valorizar a cultura de nossos antepassados, conhecer e reconhecer de onde originamos para podermos fortalecer nossas relações no presente e não sermos esquecidos no futuro.
Questões sobre o como auxiliar nossos alunos a serem indivíduos melhor estruturados e com conhecimento que os auxilie a desempenhar papéis que queiram assumir na sociedade, rondam o professor, seja nos momentos de planejamento, seja na prática ou na auto-avaliação de suas aulas; para que sejam eficientes nossos objetivos penso que:
Devemos procurar conhecer nossos alunos, sua realidade e o porquê deles ter certas atitudes, não que a condição social, ou a genética justifique algum ato, mas na maioria das vezes o indivíduo reflete o que vive, então acredito que conhecendo nosso aluno, e sendo sensível a sua existência, tratando-o como um indivíduo capaz, competente e necessário, que tenha importância na sala de aula, fazendo-o sentir-se amado, respeitado, em muitos casos funciona.
Ou seja, acredito que devemos humanizar a escola, já que esta assumiu papéis que não eram seus e estamos diante dessa dialética, onde uns assumem uma postura e outros outra, onde nem ao certo os dirigentes sabem o rumo que a escola irá tomar o que nos resta a fazer diante de nossos alunos e de nossa sala de aula, é acolher, é dar exemplo, é resgatar o valor do bem, do amor ao próximo, da verdade, da justiça, da honestidade, auxiliando a formar um homem mais humano.
Temos também que ajudar os alunos a aprender a se gostar e se amar, a respeitar suas limitações e suas capacidades e, sobretudo ser sensíveis a elas podendo evidenciá-las com nossos atos ou anulá-las.
Pensando em como o aluno aprende e como aproveitar o que ele aprende, o que ele sabe, recortei de um trabalho meu, a seguinte reflexão:
"Conforme Jaqueline Santos Picetti e Luciane Magalhães Corte Real no texto: A RELAÇÃO ENTRE OS SABERES COMUNITÁRIOS E OS CONTEÚDOS ESCOLARES NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO: “O trabalho com crianças de seis, sete, oito anos ou com adultos em processo de alfabetização deve ir além da decodificação de palavras: é necessário ler e escrever com sentido, o sentido na vida. O aluno deve articular essa aprendizagem em seu mundo, ou seja, o da comunidade em que vive. Utilizá-la como forma de comunicação e ampliação da leitura de mundo.”
Quando passamos a dar enfoque para o que o aluno sabe, este passa a ser um ser participante e ativo da sala de aula, pois ele adquire confiança em si e em seus saberes. Passa de aprendiz à praticante e de praticante a conhecedor, e a partir desses conhecimentos desenvolve outros e assim sucessivamente e infinitamente, segundo Fernando Becker: "Construtivismo significa isto: a idéia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento."
A partir do momento em que lidamos com o conhecimento dos nossos alunos, quando utilizamos seus saberes em sala de aula, estes passam a ter uma postura de seres atuantes que praticam para desenvolver seus conhecimentos, e isso oportuniza a todos os alunos desenvolverem-se, pois todos têm oportunidade de pensar, refletir, criar e opinar. "

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Refleti sobre algo: Muito do que li nesse semestre veio a afirmar conhecimentos que eu já possuía, talvez não embazados teoricamente, mas que eu já possuia; Mas acredito que essa é uma conclusão muito oportuna, pois vem a afirmar minhas metodologias, minhas crenças e minha forma de trabalho, ou seja, o que eu trabalho não está tão fora dos conceitos estudados em Pegadogia e as minhas crenças anteriores não eram tão fora dos conhecimentos chamados acadêmicos. Muito disso se deve à formação continuada que oportunizada pelo Município de Sapiranga e também ao fato de eu criticar meu trabalho e procurar aperfeiçoá-lo ao longo do tempo.
Kant afirma que, em Sobre a Pedagogia, ed. UNIMEP, 2002: "... A disciplina submete o homem às leis da humanidade e começa a fazê-lo sentir a força das próprias leis.(...) Assim, as crianças são mandadas cedo à escola, não para que aí aprendam alguma coisa, mas para que aí se acostumem a ficar sentadas tranquilamente e obedecer pontualmente àquilo que lhes é mandado, a fim de que no futuro elas são sigam de fato e imediatamente cada um de seus caprichos."
Transcrevi esta fala para ressaltar algo que venho pensando ao longo de meus anos de magistério: que mesmo que todos afirmem que não, ainda somos acomodadores de corpos na escola. Claro, nossa função modificou-se ao longo dos tempos, mas a primordial é essa: Disciplinar os corpos, humanizar o homem. Por mais que tentamos organizar as salas de aula, com extruturas diferentes( grupos, forma de u, de v), ainda temos classes e cadeiras, ainda precisamos esperar nossa vez de falar, ainda precisamos calar e ouvir, ainda temos cadernos com linhas para escrever, ainda copiamos do quadro, ainda temos intervalo( porque interver algo que é bom?), ainda brincamos de pega-pega (onde um espera a sua vez de ser pego para pegar, ou foge da vez de ser pegador...) o que está implíscito em nossos atos que nos torna acomodadores de corpos, são heranças ceculares onde, conforme o próprio autor o aprender não é prioridade...
Talvez esteja nessa herança o fato do ensino ser tão ineficiente?

terça-feira, 9 de junho de 2009

No texto:EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ, Reproduzido de ADORNO, T. W. Erziehung nach Auschwitz, o autor afirma que: "...é impossível pleitear amor
em situações profissionais, como a do professor com o aluno,
o médico com o paciente, o advogado com o cliente. O amor é
imediatista e se opõe decididamente a relacionamentos
arquitetados. "
Diferente do que o autor falou, acredito sim, no amor, acho que o amor ao próximo previne sim, muitos horrores, e que existe amor na relação professor/aluno, sem ele não seria possível educar nos dias de hoje. Podemos impor os limites através do exercício do amor, dessa forma os tornamos compreensíveis e aceitáveis. E o amor ajuda a dar autonomia ao indivíduo, uma vez que ele se aceita, se ama, pode ter mais autonomia porque confia em si mesmo. Já tive alunos que devido a relações de amor entre nós foi que consegui resultados positivos.
A realidade é severa e preocupante, e se deixarmos de lado o que acreditamos; no meu caso, que educo com amor, o que restará? O ceticismo é verdadeiro, mas cabe a quem o pratica, assim como o amor. Cabe a quem o pratica.