quarta-feira, 17 de junho de 2009

Kant afirma que, em Sobre a Pedagogia, ed. UNIMEP, 2002: "... A disciplina submete o homem às leis da humanidade e começa a fazê-lo sentir a força das próprias leis.(...) Assim, as crianças são mandadas cedo à escola, não para que aí aprendam alguma coisa, mas para que aí se acostumem a ficar sentadas tranquilamente e obedecer pontualmente àquilo que lhes é mandado, a fim de que no futuro elas são sigam de fato e imediatamente cada um de seus caprichos."
Transcrevi esta fala para ressaltar algo que venho pensando ao longo de meus anos de magistério: que mesmo que todos afirmem que não, ainda somos acomodadores de corpos na escola. Claro, nossa função modificou-se ao longo dos tempos, mas a primordial é essa: Disciplinar os corpos, humanizar o homem. Por mais que tentamos organizar as salas de aula, com extruturas diferentes( grupos, forma de u, de v), ainda temos classes e cadeiras, ainda precisamos esperar nossa vez de falar, ainda precisamos calar e ouvir, ainda temos cadernos com linhas para escrever, ainda copiamos do quadro, ainda temos intervalo( porque interver algo que é bom?), ainda brincamos de pega-pega (onde um espera a sua vez de ser pego para pegar, ou foge da vez de ser pegador...) o que está implíscito em nossos atos que nos torna acomodadores de corpos, são heranças ceculares onde, conforme o próprio autor o aprender não é prioridade...
Talvez esteja nessa herança o fato do ensino ser tão ineficiente?

terça-feira, 9 de junho de 2009

No texto:EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ, Reproduzido de ADORNO, T. W. Erziehung nach Auschwitz, o autor afirma que: "...é impossível pleitear amor
em situações profissionais, como a do professor com o aluno,
o médico com o paciente, o advogado com o cliente. O amor é
imediatista e se opõe decididamente a relacionamentos
arquitetados. "
Diferente do que o autor falou, acredito sim, no amor, acho que o amor ao próximo previne sim, muitos horrores, e que existe amor na relação professor/aluno, sem ele não seria possível educar nos dias de hoje. Podemos impor os limites através do exercício do amor, dessa forma os tornamos compreensíveis e aceitáveis. E o amor ajuda a dar autonomia ao indivíduo, uma vez que ele se aceita, se ama, pode ter mais autonomia porque confia em si mesmo. Já tive alunos que devido a relações de amor entre nós foi que consegui resultados positivos.
A realidade é severa e preocupante, e se deixarmos de lado o que acreditamos; no meu caso, que educo com amor, o que restará? O ceticismo é verdadeiro, mas cabe a quem o pratica, assim como o amor. Cabe a quem o pratica.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Estive refletindo sobre o fato de "ver um aluno", muitas vezes ouvimos essa afirmação, a forma como o professor vê o aluno é extremamente importante para o seu desenvolvimento ao longo das aulas, ao longo de um ano letivo. Refiro-me aos rótulos que os alunos carregam...
Num caso bem específico, comprovei esse fato; Em minha escola uma aluninha muito agitada e que "não parava nunca" segundo sua professora anterior, que "não tinha jeito", e que "também com a mãe dela, que a gente chama e não toma providência nenhuma, como vai mudar..."
Pois bem neste ano esta aluna está com outra pessoa, minha colega também, que não rotulou, recebeu-a igualmente como os outros, que teve dificuldades de adaptação no início com a aluna, mas que me disse o seguinte: "Sabe, ela põe um monte dos meus alunos no bolso... É agitadinha, mas está ligada, tem coisas que tem dificuldade, mas acredito nela... Falei com a mãe e ela vai procurar um médico para fazer exames..." E, vejo a mãe vindo buscar a aluna para irem ao médico, justificando faltas da aluna por consequência das consultas...
Pois, afirmo que a forma com que o professor atua, aborda, encara seus alunos, quando ele valoriza seus alunos como seres humanos, dessa forma certamente seu trabalho tem maiores resultados.
Pergunto: A aluna mudou? Não, a forma com que ela foi vista é que foi modificada.
Isso é algo que devemos nos dar conta enquanto professores.
Tentarei responder ao questionamento : "Quando colocas que "respondemos a ética e a moral, representamos-nas na escola, mas somos antes de mais nada humanos, e agimos com sentimentos." Quando? Em que caso esta pensando ao fazer esta afirmação?"
Pensei dessa forma, não em um caso específico, mas no geral, em quantas vezes temos vontade de dar a resposta para o aluno, quando vemos o comflito nos seus olhos, mas sabemos que se dermos a resposta, estaremos desperdiçando uma oportunidade de aprendizagem do aluno;
Ou então quando estamos muito cansados, sem paciência e aquele aluno que exige muito a nossa atenção torna a nos questionar pela décima vez a mesma coisa; respiramos fundo para sermos éticos, e respondemos ao questionamento;
Ou quando ouço um colega comentar: "Tive que sair, para dar uma respirada, contar até dez..."
Ou então quando nós mesmos saímos para dar esta respirada...
Deixamos nossa humanidade de lado em muitos casos, nossas reações humanas, sentimentais, para sermos éticos e agirmos dentro da moralidade.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Refletindo sobre a questão moral do Filme Clube do Imperador, onde o Professor William Hundert está escolhendo quais alunos classificar para a final de “Cezar”; No momento em que o professor altera a nota do aluno Sedgewick Bell para que este seja classificado no lugar de outro que tinha alcançado a terceira nota mais alta, ele agiu de forma imoral, mas foi levado pela crença de que seria o melhor para o aluno ser classificado, que seria uma aposta nele, uma resposta para os esforços que este vinha empenhando...
O professor foi antiético, mas agiu de forma humana, deixou seus sentimentos comandarem a escolha que fez, e pensando nisso me dei conta de que quantas vezes nós mesmos somos levados por sentimentos ao agirmos?
Respondemos a ética e a moral, representamos-nas na escola, mas somos antes de mais nada humanos, e agimos com sentimentos.
Não quero afirmar com isso que devemos sobrepor os valores em defesa de nossos sentimentos, mas que em alguns casos, agimos dessa forma, não há como negar.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A descriminação racial existe, é evidente em muitos casos e cabe também a escola trabalhar na formação do aluno para que ela deixe de existir, para que todos os indivíduos sejam respeitados de forma igual e de forma humana.
Em minha sala de aula, não percebo tais descriminações, inclusive numa situação em que os alunos queriam pintar um boneco de “cor de pele” questionei-os sobre o motivo da escolha da cor, se existia só essa cor de pessoas; eles responderam que não que existiam pessoas marrons, pretas, “até amarelo e vermelho dá para usar”, eles me afirmaram... Questionei sobre a beleza da cor, qual cor era a mais bonita, para se pintar pessoas, alguns responderam que dependia, e eu questionei do que dependia, eles me disseram que depende a pessoa, muda a cor, não existe cor mais bonita para pessoa, a pessoa é da cor que é conforme Lea nasceu, como os pais delas são. Nesse momento um aluno que estava na minha frente trocou de cor, passou a pintar seu boneco de marrom, perguntei por que ele tinha mudado. Ele respondeu que marrom também é legal.
Acredito que esse tipo de atitude vem devido a forma em que são abordadas as diferenças em nossa escola; e da forma em que nossos alunos são tratados; nossos filhos, os meus e de minhas colegas estudam na escola, o que é outra forma com a qual costumo justificar os vínculos afetivos que existem na escola. Nenhuma professora levaria seu filho para uma escola onde não concordasse com os valores trabalhados.
Estive refletindo sobre o aprendizado e a construção de aprendizado; quando dou aula, normalmente me questiono se os alunos vão conseguir compreender o que eu quero dizer, e se eles tem estrutura, para a partir de minhas propostas, construir novos conhecimentos.
Até aí, tudo bem... Então, quando não conseguimos auxiliar o aluno a aprender, pode ser porque ele não nos compreende ou porque ele não tem "pré-saberes" para construir novos conhecimentos... Isso é muito óbvio, não? Mas o que está dito nessas entrelinhas, é o que quero trazer... Me dei conta que é imprescindível saber o que nosso aluno sabe para poder auxiliá-lo a ir adiante.