terça-feira, 10 de novembro de 2009

Fiz a seguinte afirmação num trabalho de Pedagogia e Educação: Quando levamos em consideração o educando, seu discurso, o que está implícito em sua palavra e até em seu silêncio, passamos a acreditar no mesmo como sendo um ser humano que tem outras vivências além da escola, que seu saber não é algo que se dará a partir da educação escolar, pois “ Os homens que não têm humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser seus companheiros na pronuncia do mundo.” Freire, 2005.
Então, como pode a escola que se diz agente transformador da sociedade, não ser humilde e reconhecer no indivíduo um ser pensante e vivo, com existência além da mesma? É a escola então, ao aplicar seu currículo pura e simplesmente, arrogante e insensível ao seu sentido principal, que é essa transformação da sociedade. Pode-se dizer que é ingenuidade acreditar que a mudança se dará a partir do que o educando “aprenderá” na escola, pois esse aprender fora do contexto, é vazio e sem significado.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Em uma atividade de Linguagem e Educação, fiz a seginte afirmação: Quando alfabetizamos, temos a intenção de oportunizar ao indivíduo o letramento, ou seja, a funcionalidade da escrita, mas em muitos casos, isso não se dá, pelo mesmo motivo do exemplo dos filhos dos feirantes nas barracas de seus pais, eles utilizam a matemática da vida, em vez da escola, assim, nós utilizamos a leitura/escrita da escola e não a da vida, que seria inserir o letramento no contexto escolar, ou ao contrário.
Embora sempre tenhamos em mente que os indivíduos compreendem o que tentamos dizer, não levamos em consideração que escolarizamos muito das escritas do dia a dia, tornando as fora do contexto, tornamos complexos nossos textos, mesmo sendo nossa intenção trazer a realidade para a sala de aula. Tem-se a intenção, mas não se tem a sensibilidade.
Trabalhar com a realidade do aluno não é simples, pois existem muitas realidades, levando em conta que cada aluno é um sujeito único resultado de sua vivência e relação com a realidade em que vive. Exemplificando minha afirmação, quero trazer um pequeno relato de uma atividade que realizei. Estamos trabalhando os animais, e como atividade fiz um levantamento doa animais de extimação que os alunos têm, em suas casas, e também os que eles gostariam de ter, bem como os animais que eles gostariam de ver, "ao vivo". Os resultamos para os animais de extimação, foram o gato e o cachorro os que mais apareceram, mas existem peixes, patos, ovelhas e até uma vaca na lista. Os animais que eles gostariam de ter apareceu o coelho, o ornitorrinco, o cavalo, entre outros. E um dos mais requisitados para verem ao vivo foi o ornitorrinco, acredito que os alunos estão sendo influenciados por um desenho que está sendo transmitido em uma rede de televisão pela manhã, já que meus alunos estudam à tarde. Estou providenciando imagens sobre o referido animal, já que ao vivo acredito ser difícil.
Não tive oportunidade de trabalhar com Educação de Jovens e Adultos, e acredito que este deve ser um trabalho gratificante, com muitas dificuldades sim, mas gratificante no sentido de auxiliar pessoas que não tiveram oportunidade de aprender, não importa quais os motivos, em tempo que chamamos, certo, mas que está vencendo barreiras e indo em busca de realizações pessoais, desta forma, acredito que quando se trabalha com esse público deve-se ter consciência, conforme Olivera, 1999, de : "Refletir sobre como esses jovens e adultos pensam e aprendem envolve, portanto, transitar pelo menos por três campos que contribuem para a definição de seu lugar social: a condição de “não-crianças”, a condição de excluídos da escola e a condição de membros de determinados grupos culturais."
Compreendi, a partir das leituras, que o trabalho com jovens e adultos deve ter uma abordagem diferenciada da que se faz com as turmas normais, esta deve levar em conta a realidade socio-ambiental, a consciência que este aluno tem de sua realidade e trabalhar com o resgate e valorização da autoestima do indivíduo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Trabalhando com PAs

Obtive uma visualização de como administrar PAs em sala de aula ao realizarmos o trabalho para Seminário Integrador VII, o trabalho que planejamos como atuar no ano que vem, onde a apartir de elementos geradores, desencadearemos os questionamentos iniciais e após todo o desenrolar do PA. Este trabalho auxiliou a elucidar a forma de trabalho com PAs e nossos alunos, pois paramos para projetá-los em nossas salas de aula e desta forma, eu consegui uma visualização de como fazê-lo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mesmo conhecendo a dura realidade de nossos alunos, acredito que não podemos e nem devemos ser indiferentes as situações de condutas violentas de nossos alunos, mesmo que essas estejam de acordo com a sua formação moral, devemos ter muito cuidado para que os procedimentos que escolhemos não serem exclusivos, para que não ocorra o que Jaqueline Picetti mencionou em Significações de violência na Escola: Equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança?: " Esses alunos percebem que não há lugar na escola para o seu jeito de ser, isto é, seu processo de desenvolvimento e, às vezes, deixam de estudar. " O que fato não queremos, então me questiono, o que fazer?
Procuro sempre ser mais justa possível com os atos violentos dos alunos, não dando valor exagerado para eles, porque acredito que se ressaltarmos os pontos negativos com muita ênfase, eles aparecerão mais que os positivos e para crianças que estão formando-se moralmente é muito importante ter evidenciadas as situações positivas em vez das negativas.
Nos dias de hoje, o que noto como um agravante da conduta violenta é a falta de limites. Não devemos confundir a formação moral com amoralidade, e essa sim é uma realidade de nossos dias escolares, que muitos pais acreditam que para a formação da criança ela não pode ser criticada, ou não receber nenhum não. Para a criança ter formação do que é certo e errado, e de que se ela tiver atitudes incorretas com as pessoas essas atitudes acarretarão conseqüências desagradáveis para estas pessoas e para ela mesma, é imprescindível a intervenção dos adultos responsáveis por elas.
Educa-se no exemplo, as crianças imitam nossas atitudes e se ficamos indiferentes ao acesso de violência, seja ela reflexo da formação moral ou não, acabaremos criando seres indiferentes a dor e ao sofrimento alheio. Indiferentes à violência ou o que é pior, favoráveis a ela.
Montamos este mosaico em aula para uma atividade da interdisciplina de QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO: SOCIOLOGIA E HISTÓRIA
Conversei com eles se precisávamos escrever um título para nosso trabalho, houve sugestões:
“ Gentes de todos os jeitos...”
“ Cada um é diferente e é importante...”
“ Somos uma mistura de gentes...” (Adorei essa!)
Certamente é no exercício de nossas expressões e no repensar atitudes que acabamos com preconceitos; e eles estão muito mais camuflados do que podemos perceber, muitas vezes não somos sensíveis o suficiente, para nos darmos conta deles, mas observando meus alunos, trabalhando e interagindo pude renovar as esperanças em um mundo melhor, sem tantos preconceitos, mais humano.
A reafirmação da identidade indígena foi de suma importância para todos os povos indígenas que vivem no Brasil, pois passou a valorizar o índio como pessoa, como ser humano, que provém de uma cultura distinta da dos europeus, africanos e asiáticos, mas que da mesma forma é um povo. Diversos indígenas que durante os séculos de colonização negavam sua identidade étnica, agora passaram a reivindicá-la, bem como o reconhecimento da suas etnias e seus territórios ancestrais dentro do Brasil. Como afirma o texto “Os Indios no Brasil: quem são e quantos são”, escrito pelo representante do povo Baniwa, Gersen : “Ser índio passou de uma generalidade social para uma expressão sociocultural importante do país. Ser índio não está mais associado a um estágio de vida, mas à qualidade, à riqueza e à espiritualidade de vida. Ser tratado como sujeito de direito na sociedade é um marco na história indígena brasileira, propulsor de muitas conquistas políticas, culturais, econômicas e sociais.”
As novas gerações indígenas demonstram muito interesse pela sua cultura, e para recuperar o valor da identidade indígena. Que afirmam que sua história dá sentido às suas vidas; uma vez que ser índio é aceitar um passado histórico marcado por violência e desvalorização, mas ao mesmo tempo é motivo de orgulho, uma vez são descendentes de povos que habitavam o Brasil antes de sua colonização. Conforme afirma o autor: “A reafirmação da identidade não é apenas um detalhe na vida dos povos indígenas, mas sim um momento profundo em suas histórias milenares e um monumento de conquista e vitória que se introduz e marca a reviravolta na história traçada pelos colonizadores europeus, isto é, uma revolução de fato na própria história do Brasil.”
Acredito que assim como para com o povo afro descendente, o Brasil como Estado e seu povo, tem uma dívida muito grande para com os povos indígenas, que acredito está iniciando a ser saudada, com o reconhecimento da importância desses povos para o desenvolvimento brasileiro e para nossa cultura.
Devemos além de reconhecer sua importância aprender com eles a valorizar a cultura de nossos antepassados, conhecer e reconhecer de onde originamos para podermos fortalecer nossas relações no presente e não sermos esquecidos no futuro.